Primeira Cirurgia Robótica do Espírito Santo

Cirurgia Robótica, Nossas Conquistas

Entrevista com o diretor geral do Hospital Santa Rita, Carlos Clayton Lobato

No dia 20 de abril, aconteceu a primeira cirurgia robótica do Hospital Santa Rita, em Vitória no Espírito Santo. O procedimento realizado foi uma prostatectomia radical, conduzido por uma das maiores referências da cirurgia robótica no Brasil, o cirurgião urologista Dr. Rafael Coelho, que foi para Vitória especialmente para participar desse momento histórico no estado.

O Hospital Santa Rita é o primeiro hospital da região a desenvolver um programa robótico que teve início com a aquisição do sistema cirúrgico da Vinci Xi. O da Vinci Xi é o modelo mais moderno de robôs cirúrgicos disponíveis no mercado, oferecido pela Strattner, representante oficial da Intuitive no Brasil. O diretor geral do hospital, Carlos Clayton Lobato, conta que, quando assumiu a diretoria em 2019, percebeu que um programa robótico traria grandes benefícios para a região e alavancaria o panorama da saúde no estado, que ainda não tinha aderido à essa tecnologia. Assim, o processo para aquisição do robô da Vinci iniciou e foi concretizado no final de dezembro, culminando com a instalação do sistema no dia 31 de março e o primeiro procedimento sendo realizado 20 dias depois.

A Strattner conversou com o diretor geral Carlos Clayton Lobato, que nos contou como está sendo esse momento. Confira a entrevista:


S: O que motivou o Hospital Santa Rita a ser precursor no estado ao trazer essa inovação e quais são as expectativas com o início do programa robótico?
C: Quando cheguei no Espírito Santo em agosto do ano passado, muito me surpreendeu que não tivesse uma sala híbrida e um programa robótico no estado. Então, logo no início já comecei a conversar com o corpo clínico e com a diretoria estatutária sobre nos colocar no mercado de uma forma diferente, alavancando a ideia de um programa robótico. Todo esse projeto é um pouco mais amplo do que só a robótica, ele vem para nos posicionar como o principal hospital do Espírito Santo e, assim, nossa intenção é, também, uma ação forte de posicionamento de mercado.

S: Quais benefícios você enxerga que essa tecnologia traz para a população?
C: A tecnologia de uma forma geral é espetacular. O tempo de console, da cirurgia em si, é consideravelmente menor; a imagem é muito bacana, amplificada; a diminuição do sangramento também é importante, pois acaba sangrando muito pouco, enfim, o avanço é um espetáculo em relação à melhoria da assistência ao paciente. Além disso, junto com a cirurgia robótica vem todo um ganho que às vezes acabamos não percebendo em relação aos protocolos periféricos, como por exemplo a anestesiologia. Nós precisamos comprar vários novos itens, como um colchão especial. Apesar de termos sempre a preocupação com a segurança da cirurgia, sem o robô talvez não percebêssemos essa necessidade.

S: Como o corpo clínico tem respondido à essa novidade?
C: O corpo clínico está totalmente engajado desde o primeiro momento em que foi cogitada a aquisição do sistema. Foi um sucesso dentro do hospital e inclusive vemos médicos de outras instituições interessados em fazer parte do projeto. Vemos que, sem a plataforma robótica, não teríamos esse interesse por parte de outros médicos em vir para o nosso hospital.

S: Quais serão as especialidades que irão oferecer procedimentos robóticos em um primeiro momento?
C: Na verdade, já conseguimos abranger 5 especialidades. Começamos com a urologia, mas a cirurgia oncológica também já está em vias de acontecer, acredito que em aproximadamente 15 dias já poderemos fazer a primeira com um proctor de fora. Cabeça e pescoço, cirurgia bariátrica e cirurgia torácica já iniciaram treinamentos, ou seja, 5 especialidades já iniciaram os treinamentos.

S: O que você pode nos contar dos primeiros procedimentos robóticos?
C: Acompanhei as duas primeiras cirurgias de dentro da sala, foram cirurgias para retirada de próstata e o tempo de console, da cirurgia, foi em torno de 50 minutos sendo que uma prostatectomia radical normalmente demora uma hora e meia. Temos também a questão da imagem em si, que foi muito bacana, muito amplificada, sem falar que nós acompanhamos em 2D, enquanto o cirurgião olha em 3D. O sangramento da prostatectomia radical foi muito pouco.

Após a primeira cirurgia do hospital, realizada num paciente de 63 anos que está bem e se recuperando, foram feitas mais uma no mesmo dia e 3 no dia seguinte. Todos os pacientes estão bem e se recuperando e a mensagem que fica é que mesmo em meio à pandemia do Covid-19, os pacientes oncológicos do Espírito Santo podem contar com um atendimento de qualidade e acesso às melhores tecnologias disponíveis.

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