Sialoendoscopia - Indicações para endoscopia das glândulas salivares

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Glândulas Salivares
Primeiro, vamos entender o que são as glândulas salivares e suas funções. As glândulas salivares são órgãos anexos ao tubo digestório, localizam-se no interior e em torno da cavidade bucal, e participam de forma significativa do processo de digestão, liberando enzimas que atuam diretamente sobre o bolo alimentar.

A sialoendoscopia é realizada, geralmente, nos ductos das glândulas salivares parótida, sublingual ou submandibular.

 

Glândula parótida:
Temos duas glândulas parótidas, uma em cada lateral da face. É responsável por secretar saliva, um fluído que possui funções digestiva, lubrificante e protetora.



Glândula submandibular:
É uma glândula salivar localizada abaixo da mandíbula. Produz a maior parte da saliva total liberada na boca.



Glândula sublingual:
É a menor das três, fica abaixo da mucosa do soalho da boca.



Patologias:
As patologias obstrutivas das glândulas salivares estão frequentemente associadas a uma considerável diminuição da qualidade de vida do paciente devido à tumefação (aumento de volume de tecido em uma célula, órgão ou parte do corpo) dolorosa das glândulas salivares maiores causadas pela alimentação. As causas mais frequentes são os cálculos salivares e as inflamações crônicas.

O diagnóstico de patologias obstrutivas das glândulas salivares é difícil e em média 10% dos casos não podem ser observados em métodos convencionais como ultrassonografias ou outros exames. A endoscopia das glândulas salivares consegue tornar visível diretamente qualquer alteração, representando um complemento valioso para este tipo de diagnóstico.



Sialolitíase (cálculos salivares):
Os cálculos salivares são responsáveis por mais de 50% das causas de tumefações das glândulas salivares. Eles são constituídos por componentes orgânicos e inorgânicos e variam entre poucos milímetros e alguns centímetros. Podem ser de origem infecciosa ou não, caracterizada por edema, dor e diminuição ou ausência de salivação na glândula afetada.



→ Sialoadenites (inflamações):
A sialoadenite é a infecção bacteriana da glândula salivar, geralmente em razão de cálculo obstruindo a drenagem ou hipossecreção da glândula.

Os sintomas são febre, calafrios, e dor e edema unilaterais. A glândula fica firme e difusamente sensível, com eritema, edema da pele sobrejacente e secreção purulenta.



→ Estenose de dutos salivares maiores (estreitamento)
A estenose do ducto salivar é o estreitamento patológico de um conduto, canal ou orifício. Pode ser causado por cálculos salivares, infecções ou traumas. Portanto, o tratamento está diretamente relacionado com a causa da estenose.

→ Parotidites de repetição (inflamações)
Em geral, as parotidites são de causa viral, como a caxumba, mas podem ser de causa desconhecida e serem repetitivas. Já as glândulas submandibulares podem, com maior frequência ter uma causa obstrutiva para se inflamarem.

→ Síndrome de Sjogren (baixa produção de enzimas e saliva)
É uma doença autoimune de causa desconhecida que afeta as glândulas lacrimais e salivares, causando olho e boca seca. Os sintomas de boca seca levam a dificuldade de comer alimentos secos sem ingerir líquido, língua grudada no céu na boca pela manhã, feridas pequenas nos cantos da boca, cáries frequentes e quebra fácil dos dentes.



→ Radioiodo terapia
Alguns pacientes com câncer de tireoide são submetidos ao tratamento com radioiodoterapia, iodo 131. Porém as glândulas salivares também absorvem parte dessa radiação por possuírem proteínas semelhantes às das glândulas tireoides.



No entanto, a literatura menciona que os efeitos colaterais da terapia com iodo 131 nas glândulas salivares apontam uma incidência de sialoadenite aguda entre 24% a 67%, e de sialoadenite crônica entre 11% a 43% nos pacientes submetidos a essa terapia. Resultando em sintomas como dificuldade de deglutição e perda do paladar, causando prejuízos à qualidade de vida dos pacientes acometidos com o câncer de tireoide. [1]

[1] VIEIRA, Anna Clara Fontes; LOPES, Fernanda Ferreira. Efeitos da radioiodoterapia nas glândulas salivares. Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo, v. 23, n. 3, p. 216-222, 2017.

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