Entenda como funciona o tratamento do cálculo vesical

Urologia

O que é o cálculo vesical?

O termo cálculo vesical refere-se à presença de pedras ou material calcificado na bexiga. Os cálculos vesicais são raros em países desenvolvidos e são mais comumente relacionados, em adultos, à obstrução abaixo da bexiga, infecção crônica ou a presença de corpo estranho na bexiga. Podem ocorrer na infância, estando relacionados à desnutrição, principalmente à dieta pobre em proteínas. No entanto, a população mais acometida por esta doença é a de homens com mais de 50 anos que possuam doença obstrutiva abaixo da bexiga. As principais alterações obstrutivas relacionadas à ocorrência de cálculos são a estenose de uretra, divertículo vesical, bexiga neurogênica e hiperplasia benigna da próstata, sendo a última a causa mais comum.

CAUSAS
A causa mais comum de formação de cálculo vesical é a obstrução da saída da urina, resultando no seu acúmulo e consequente formação de cristais. Outra forma de desenvolvimento de cálculos vesicais é presença de corpos estranhos na bexiga, que servem como um leito para a formação dos mesmos. Esses corpos estranhos podem ser: material de sutura, migração de aparelhos contraceptivos, stents (cateteres) ureterais, entre outros. Outra possibilidade é a formação da pedra nos rins e sua passagem até a bexiga, com subsequente deposição de cristais. Estes casos são mais raros, pois se o cálculo tem diâmetro pequeno o suficiente para ultrapassar os ureteres, ele provavelmente passaria através da uretra e seria naturalmente eliminado.

SINTOMAS
Os pacientes podem apresentar sintomas de obstrução vesical em decorrência de patologias associadas (estenose de uretra, hiperplasia benigna prostática) e o diagnóstico de litíase ocorrer de maneira acidental. Entretanto, o que geralmente ocorre é o paciente apresentar sintomas provocados pela própria litíase, tais como:
- Hematúria (sangue na urina) dolorosa e intermitente
- Dor ao urinar
- Aumento da frequência de micção
- Dor supra-púbica que piora com o movimento
- Dor na glande, testículo e períneo
- Interrupção do jato urinário
- Dor severa ao final da micção, quando o cálculo impacta no colo vesical
O desconforto geralmente aumenta ao realizar movimentos repentinos e exercícios.

DIAGNÓSTICO
Ilustração da inserção do Duodenoscópio e a passagem do cateterAssociado à história clínica, alguns exames complementares devem ser realizados para o correto diagnóstico da pedra na bexiga:
- Radiografia simples de abdome: este exame é suficiente para a confirmação do quadro e apresenta alta sensibilidade e especificidade. No entanto, quando o cálculo não é visível ao exame radiográfico ou quando há sobreposição de estruturas ósseas, faz-se necessária a utilização de outros métodos de exame de imagem.
- Urografia excretora: exame radiográfico realizado com contraste, no qual a obstrução é demonstrada como uma falha de preenchimento do contraste na via urinária.
- Ultrassonografia: exame de imagem bastante útil na identificação de cálculos não passíveis de identificação ao exame radiográfico.
- Cistoscopia: caso haja necessidade de um método mais acurado deve-se realizar uma cistoscopia. Este exame consiste na passagem de endoscópio pela uretra até atingir a bexiga, permitindo a visualização direta do cálculo, seu aspecto, localização e dimensões.



TRATAMENTO
Primeiramente, é de fundamental importância eliminar fatores que causem a estase urinária vesical e assim evitar a formação de novos cálculos. O tratamento clínico pode ser tentado, para dissolução química do cálculo. Via de regra a litíase vesical é tratada cirurgicamente. O método cirúrgico será selecionado de acordo com a localização, tamanho e dureza do cálculo, bem como das condições gerais do paciente.
- Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque: máquina capaz de quebrar os cálculos em pedras menores através da aplicação de ondas geradas por fonte de energia eletrohidráulica/eletromagnética. Trata-se de procedimento não invasivo e que não requer incisões para ser realizado. No entanto, sua eficácia está relacionada ao tamanho do cálculo, sendo indicada para pedras menores que 2cm e de consistência mais macia ou para pacientes com alto risco cirúrgico.
- Tratamentos endourológicos: indicados em casos de cálculos grandes e múltiplos. Nestes métodos não há necessidade de incisão, uma vez que o acesso do equipamento se dá através da via urinária (uretra). Estes procedimentos são considerados padrão ouro no tratamento dos cálculos vesicais e consistem na visualização da pedra, fragmentação ou desintegração da mesma através de energia balística, ultrassônica ou LASER. Após a quebra das pedras os fragmentos são retirados, garantindo que o paciente fique livre de cálculos. Por se tratar de procedimento minimamente invasivo, garante ao paciente menores taxas de complicações e menor tempo de internação.
- Cirurgia aberta: indicada para casos de cálculos muito grandes, para os quais não é possível a fragmentação e retirada do cálculo de forma endoscópica. A cirurgia aberta é realizada através de uma abordagem suprapúbica.

A Strattner possui em seu portfolio instrumentais específicos para o diagnóstico e tratamento dos cálculos vesicais, com cistoscópios rígidos e flexíveis, nefroscópios, aparelhos para fragmentação de cálculos e litotripsia extracorpórea por ondas de choque.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UROLOGIA FUNDAMENTAL. Miguel Zerati Filho, Archimedes Nardozza Júnior, Rodolfo Borges dos Reis. São Paulo: Planmark, 2010. Vários colaboradores.
UROLOGIA MODERNA. Rodolfo Borges dos Reis, Stênio de Cássio Zequi, Miguel Zeratti Filho. São Paulo: Lemar, 2013.
PROTEUS: PALESTRAS E REUNIÕES ORGANIZADAS PARA A PREPARAÇÃO AO TÍTULO DE ESPECIALISTA EM UROLOGIA, SBU. 2ª ed. São Paulo: Planmark; 2017. Vários colaboradores.
TRATAMENTO CIRÚRGICO DA LITÍASE VESICAL: REVISÃO DE LITERATURA. FABIO CESAR MIRANDA TORRICELLI; EDUARDO MAZZUCCHI; ALEXANDRE DANILOVIC; RAFAEL FERREIRA COELHO; MIGUEL SROUGI. Rev. Col. Bras. Cir. 2012; 40(3): 227-233.

 

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