Tratamento da endometriose - Entrevista com especialistas

Ginecologia

A endometriose é uma doença que atinge aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade fértil no mundo e mais de 7 milhões de brasileiras. Por este motivo, a Strattner entende a importância de conscientizar e informar os nossos leitores à respeito do tratamento da Endometriose.

 



Confira abaixo a entrevista com o Dr. Tomyo Arazawa e Dr. Giuliano Borrelli sobre a endometriose, ambos responsáveis pelo Endotalks, projeto que acredita que uma toda mulher merece receber apoio e condições necessárias para receber um diagnóstico e tratamento eficiente para a Endometriose.

 

O que é a Endometriose e qual a sua epidemiologia atual?
A endometriose caracteriza-se pela presença de células semelhantes às do endométrio (camada mais interna do útero) em outros locais do corpo humano - órgãos e tecidos, mais frequentemente na cavidade abdominal. Nesses tecidos, elas (células) se implantam e proliferam, causando inflamação.

A endometriose é uma doença de causas multifatoriais, incluindo fatores imunológicos, hormonais, ambientais e genéticos. É mais comum do que se imagina. Estima-se que ela afete 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva (desde a 1ª menstruação na adolescência até a última - menopausa). Isso representa aproximadamente 7 milhões de brasileiras.

 

Quais são os principais sintomas? Como diferenciar uma cólica normal de uma dor patológica, que possa indicar endometriose?
Os principais sintomas são:
• dor / cólica menstrual (dismenorreia)
• dor na relação sexual (dispareunia ‘de profundidade’)
• dor pélvica crônica (acíclica - não relacionada com o ciclo menstrual)
• dor para evacuar (disquezia) / dor para urinar (disúria) durante a menstruação
• Infertilidade

Não devemos suspeitar de endometriose em toda cólica menstrual. Apesar da dor ser um sintoma subjetivo, podemos usar alguns parâmetros para diferenciar os casos que merecem investigação. Cólicas menstruais leves (mulheres não precisam usar medicamento para dor ou tomam analgésico e ficam bem, mantendo atividade rotineira normalmente) geralmente não precisam de investigação; já as cólicas menstruais intensas (necessitam de medicação sempre para dor, por vezes endovenosa) e incapacitantes (independente do uso de medicamentos para dor, a mulher não consegue fazer suas atividades rotineiras por conta da cólica) devem ser investigadas para endometriose.

 

Como as mulheres podem se prevenir?

Não existe atualmente uma prevenção direta para o desenvolvimento da doença, visto que o componente genético na sua origem é bastante relevante. Mas existem, sim, medidas que podem prevenir uma piora dos sintomas relacionados. Alimentação saudável, atividade física rotineira, qualidade do sono adequada são medidas que ajudam a minimizar a inflamação no organismo e, consequentemente, aliviar e controlar melhor a dor nas mulheres com endometriose.

 

O que é indicativo de endometriose no exame físico?

O exame físico ginecológico é fundamental. Em alguns casos, no exame de visualização do fundo vaginal – exame especular – podemos visualizar focos típicos de endometriose no fundo vaginal. Já no toque vaginal, que é muito importante, na maioria dos casos de endometriose profunda percebemos nodulações e/ou espessamentos que geralmente são dolorosos ao exame. Esses achados indicam a possibilidade de endometriose.

 

Como diagnosticar? Quais exames são essenciais de rotina?

O diagnóstico da endometriose é clínico (sintomas + exame físico), associado a exames de imagem específicos. Quando os sintomas e exame físico são sugestivos, indicamos os exames de imagem apropriados (ultrassom transvaginal com preparo intestinal e/ou ressonância magnética). Não existe nenhum teste laboratorial capaz de distinguir mulheres com e sem endometriose.

 

Existe algum fator hereditário?

Como mencionado na primeira resposta, existem fatores genéticos (relacionados a alterações no gene) nas mulheres com endometriose, que não são necessariamente herdados pelos descendentes (fator hereditário).

 

Quais são os maiores fatores de risco?

Estudos mostram que história familiar de endometriose, ciclos menstruais curtos e algumas alterações genéticas (polimorfismos) são fatores de risco para o desenvolvimento da endometriose. Tabagismo, IMC baixo e baixa paridade estão associados a um risco aumentado, porém são fatores de risco modificáveis.

 

Quais são os principais tratamentos?

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico conta com a terapia hormonal para bloqueio do ciclo menstrual visando diminuir a dor e a inflamação dos focos; além disso, acompanhamento com fisioterapeuta, osteopata, psicóloga e nutricionista especializados, com uma boa orientação nutricional e do estilo de vida corroboram no controle clínico da doença. O tratamento cirúrgico exige equipe cirúrgica capacitada em cirurgia minimamente invasiva – vídeolaparoscopia, que pode ser robô-assistida – com experiência no tratamento cirúrgico da endometriose nos diferentes níveis de complexidade para excisão completa dos focos de endometriose presentes.

 

Endotalks é um evento beneficente que acontece no dia 21 de março de 2020 no Hotel Tivoli Mofarrej - Alameda Santos, 1437 - Cerqueira César, São Paulo - SP. Priorizando o maior alcance possível da informação, ele também será veiculado 100% online!

O evento é idealizado para colaborar com a conscientização da Endometriose, doença que atinge aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade fértil no mundo. Acreditamos que compartilhar conhecimento e experiências também é cuidar. Por isso, reunimos especialistas em endometriose e saúde da mulher para um evento único!

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