O que são biofilmes e seu desafio no reprocessamento seguro

CME

O que são os biofilmes bacterianos?

Biofilmes bacterianos são comunidades de bactérias envoltas por substâncias produzidas pelas próprias bactéria, que conferem a comunidade destes microrganismos proteção contra diversos tipos de agressões que ela pode vir a sofrer como, por exemplo, a falta de nutrientes, o uso de um antibiótico ou algum agente químico utilizado para combater bactérias.


O biofilme pode se aderir a superfícies abióticas (a= negação, Bio= vida; abiótico = “superfície sem vida”), como cateteres utilizados em tratamentos médicos ou bióticas (“bio = vida) como em dentes ou ainda tecidos e células. São estruturas dinâmicas que apresentam etapas de formação, como pode ser observado na figura abaixo.

Referência da figura: Adaptado de Monroe D (2007) Looking for Chinks in the Armor of Bacterial Biofilms. PLoS Biol 5(11): e307. doi:10.1371/journal.pbio.0050307

 

Alguns microrganismos possuem mais facilidade em construir biofilme. Essa produção depende da hidrofobicidade da célula, da presença de flagelos ou fímbrias e da capacidade de produção de exopolissacarídeos. No caso de produtos para saúde, os microrganismos mais relevantes na produção de biofilmes são Enterococcus faecalis, Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Streptococcus viridans, Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Pseudomonas aeruginosa, micobactérias e diversos fungos. Esses microrganismos podem ser provenientes da pele do paciente, dos profissionais de saúde, da água e de fontes ambientais(2).


Quais são os desafios dos biofilmes na CME?

Os profissionais da CME que realizam a limpeza dos artigos devem estar cientes de que falhas na limpeza podem permitir que a matéria orgânica residual se acumule, protegendo os microrganismos contra o efeito dos agentes desinfetantes e esterilizantes. Falhas subsequentes na limpeza vão propiciando um ambiente favorável a formação de biofilmes, que como sabemos têm difícil remoção(3).


Prevenir a instalação deste biofilme é a chave para o seu controle, portanto, a higienização deve ser feita frequentemente com a aplicação de tratamentos combinados e com uma monitoração constante das superfícies(4).


Como os detergentes enzimáticos funcionam na limpeza de instrumentos cirúrgicos?

O químico utilizado na limpeza dos instrumentais cirúrgicos pode ser um aliado no combate ao biofilme. Os detergentes enzimáticos possuem enzimas que facilitam a quebra da matéria orgânica. As enzimas são substâncias catalizadoras, produzidas por células vivas, que têm poder de acelerar reações químicas, mesmo em baixas concentrações² As soluções enzimáticas para a limpeza de produtos para saúde são compostas de enzimas (geralmente lipase, protease e amilase), surfactantes e solubilizantes. Atuam especificamente sobre a matéria orgânica presente nos instrumentos, quebrando as ligações moleculares existentes nas gorduras, proteínas e carboidratos³. Quando na composição de um detergente enzimático há a enzima CELULASE, esta irá agir diretamente na remoção do biofilme, uma vez que a matriz polimérica que protege esse aglomerado de bactéria (biofilme), possui celulose em sua composição. 

 

O detergente enzimático Luckzymes irá agir não somente nos componentes do sangue e tecidos humanos, mas também agirá diretamente no biofilme. O detergente enzimático Luckzymes possui 5 enzimas:

I. Protease I: Ação sobre proteínas presentes no sangue fresco (Albumina)

II. Protease II: Ação sobre proteínas presentes no sangue seco (Fibrina)

III. Celulase: Ação celulose presente no bolo alimentar fecal e biofilme

IV. Amilase: Ação sobre açúcares

V. Lipase: Ação sobre gorduras

As soluções enzimáticas são altamente recomendadas para a limpeza de produtos para saúde devido a sua eficácia na remoção de sujidade. Mas é fundamental que sejam utilizadas na concentração correta para sua efetividade e eficiência. Sendo assim, os protocolos de reprocessamento devem prever o manejo apropriado para a correta diluição do produto³.

Referência: 1. www.icb.usp.br | 2. Práticas Recomendadas SOBECC 6ª edição - 2013 | 3. Portal NASCE CME | 4. www.ccih.med.br

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