
Por esse motivo, a forma como os materiais são embalados e montados dentro da autoclave interfere diretamente na eficácia da esterilização e na segurança do paciente.
O processo de esterilização a vapor ocorre por meio do contato direto do vapor saturado com todas as superfícies do material. Quando há barreiras à penetração do vapor — como excesso de peso, embalagens inadequadas ou montagem incorreta da carga — o processo pode ser comprometido, mesmo que o ciclo apresente parâmetros físicos aprovados.
A eficácia da esterilização depende de fatores como:
Estudos demonstram que falhas na remoção de ar estão entre as principais causas de falha na esterilização a vapor, especialmente em cargas complexas e caixas cirúrgicas pesadas.
Segundo a Association for the Advancement of Medical Instrumentation, a disposição inadequada dos materiais pode dificultar a circulação do vapor e impedir que os parâmetros críticos do processo sejam atingidos em toda a carga.
A ANSI/AAMI ST79 reforça que embalagens excessivamente compactadas reduzem a remoção do ar e dificultam a secagem, aumentando o risco de pacotes úmidos e falhas de esterilização.
Além disso, pesquisas demonstram que a umidade residual após a esterilização pode favorecer contaminação por evento, comprometendo a manutenção da esterilidade durante o armazenamento e transporte.
Estudo publicado por Perkins (2017) demonstrou que a densidade e configuração da carga interferem diretamente na distribuição térmica e penetração do vapor dentro da autoclave.
Outro ponto importante é que instrumentais montados de forma incorreta podem criar áreas de retenção de ar, especialmente em caixas cirúrgicas com grande quantidade de instrumentais ou materiais canulados.
As diretrizes da World Health Organization reforçam que o preparo adequado da carga é uma etapa essencial para garantir a eficácia da esterilização e a segurança do paciente.
O preparo correto da carga é fundamental para garantir a eficácia da esterilização, reduzir falhas no processamento e aumentar a segurança do paciente.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde. Brasília: ANVISA, 2012.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO (SOBECC).
Diretrizes de práticas recomendadas SOBECC para processamento de produtos para saúde. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2021.
ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF MEDICAL INSTRUMENTATION (AAMI).
ANSI/AAMI ST79: Comprehensive guide to steam sterilization and sterility assurance in health care facilities. Arlington: AAMI, 2017.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC).
Guideline for Disinfection and Sterilization in Healthcare Facilities, 2008. Atlanta: CDC, 2008.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO).
Decontamination and reprocessing of medical devices for health-care facilities. Geneva: WHO, 2016.
PERKINS, J. J.
Principles and methods of sterilization in health sciences. 2. ed. Springfield: Charles C Thomas Publisher, 2017.
Deixe um comentário