
A limpeza dos instrumentais cirúrgicos é considerada a etapa mais importante do processamento de produtos para saúde no Centro de Material e Esterilização (CME). Essa etapa é responsável pela remoção da matéria orgânica, redução da carga microbiana e preparação adequada do material para a desinfecção ou esterilização.
Estudos demonstram que a presença de resíduos orgânicos, como sangue e tecidos, pode comprometer a eficácia da esterilização, pois atua como barreira física, impedindo a ação do agente esterilizante e aumentando o risco de infecções relacionadas à assistência à saúde (CDC, 2008).
Além disso, pesquisas demonstram que instrumentais considerados visualmente limpos podem apresentar sujidade residual. Um estudo realizado por Baxter et al, 2006 identificou presença de proteína residual em instrumentais após o processamento, evidenciando falhas na etapa de limpeza.
Avaliando esses estudos podemos dizer que não há como padronizar um único método de limpeza para todos os materiais, temos que limpar de acordo com a complexidade do material e o tipo de sujidade, é fundamental ter as instruções do fabricante quanto ao melhor método de processamento.
O processamento inadequado dos produtos para saúde está diretamente relacionado à ocorrência de infecções hospitalares, tornando o CME um setor estratégico para a segurança do paciente.
Como deve ser realizada a limpeza no CME:
A limpeza pode ser realizada de forma manual e/ou automatizada, seguindo etapas padronizadas:
Etapas recomendadas
Importante seguir as orientações do fabricante quando ao processamento correto do material.
A utilização de detergentes enzimáticos é recomendada, pois as enzimas ajudam a remover proteínas, sangue e outros resíduos orgânicos que podem comprometer a esterilização.
Para garantir a eficácia da limpeza, podem ser utilizados testes de monitoramento, como:
Principais testes utilizados no CME
A norma ABNT NBR ISO 15883 estabelece critérios para avaliação da limpeza, incluindo limites aceitáveis de proteína residual para validação do processo.
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Referências
ALFA, M. J.; NEMES, R.; OLSON, N.; MULAIRE, A.
Manual methods are suboptimal compared with automated methods for cleaning of single-use biopsy forceps.
Infection Control & Hospital Epidemiology, Chicago, v. 27, n. 8, p. 841-846, 2006.
encontrado em: https://doi.org/10.1086/506397
BAXTER, R. L.; BAXTER, H. C.; CAMPBELL, G. A.; GRANT, K.; JONES, A.; RICHARDSON, P.; WHITTAKER, G.
Quantitative analysis of residual protein contamination on reprocessed surgical instruments.
Journal of Hospital Infection, Londres, v. 63, n. 4, p. 439-444, 2006.
encontrado em : https://doi.org/10.1016/j.jhin.2006.03.011
Centers for Disease Control and Prevention.
Guideline for disinfection and sterilization in healthcare facilities, 2008. Atlanta: CDC, 2008.
Disponível em: https://www.cdc.gov/infection-control/guidelines/disinfection/index.html
Acesso em: 02 abr. 2026.
ABNT NBR ISO 15883-1 — Lavadoras Desinfetadoras: Requisitos gerais, termos, definições e ensaios.
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